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19 / Fev / 2015

Perda auditiva e tratamento para câncer

 

Os médicos têm um vasto conhecimento sobre os diversos efeitos da quimioterapia e da radioterapia. Entretanto, nos últimos anos pesquisas demonstram os riscos da perda auditiva ou outros problemas relacionados (ex. zumbido) após o tratamento de câncer nos pacientes. Estes estudos revelam uma forte correlação entre a perda auditiva e o tratamento do câncer, devido principalmente aos medicamentos utilizados na quimioterapia. É importante para o médico e o paciente terem ciência sobre as possíveis consequências do uso de ototóxicos durante o tratamento do câncer, como por exemplo a perda auditiva permanente. Ototoxidade e sua relação com o tratamento de câncer. Medicamentos da quimioterapia ou radioterapia podem causar a ototoxicidade, que por consequência pode gerar uma perda auditiva temporária ou permanente, dependendo do tipo e duração do tratamento.

A ototoxicidade ocasiona uma perda auditiva neurossensorial (PANS),devido às drogas e aos componentes químicos que atingem o ouvido interno, onde as células ciliadas da cóclea vibram em resposta às ondas sonoras.

Além da perda auditiva, alterações no equilíbrio e zumbido podem também ocorrer.

Medicações quimioterápicas a base de platina, como a cisplatina e carboplatina, são consideradas as primeiras “culpadas“ pela ototoxicidade. Existem outros medicamentos quimioterápicos que também são considerados ototóxicos, como Bleomicina, Vincristina, Vimbastina, Bromocripitine e Metotrexato (MTX) e mostarda de nitrogênio.

O grupo de quimioterápicos baseado na platina é frequentemente usado no tratamento do câncer de cabeça, pescoço, ovários e bexiga nos adultos. E também é usado no tratamento de câncer no cérebro, ósseo e de fígado em crianças.

 

Efeitos da ototoxidade nos adultos:

• Efeitos físicos da perda auditiva, incluem problemas de: equilíbrio e maior probabilidade de quedas, especialmente em idosos. A perda auditiva também tem sido correlacionada a determinadas demências e problemas cognitivos.³

• Consequências psicológicas, incluem: depressão, isolamento, ansiedade, raiva e baixa auto-estima.

• Impacto econômico, que inclui aumento da taxa de desemprego, dificuldade de permanecer no emprego ou de promoção na carreira.

Por causa dos efeitos a longo prazo da perda auditiva em adultos em recuperação e os efeitos debilitantes associados às condições físicas, os oncologistas fazem o possível para reduzir a grande exposição de ototóxicos durante o tratamento. Quando é necessário tratamentos mais agressivos, e provalvelmente o paciente terá uma perda auditiva, é importante considerar outras opções de tratamentos auditivos, como o uso de aparelhos auditivos, que auxiliam em 95% dos pacientes com perda auditiva. Como atualmente os tratamentos do câncer têm maior sucesso e os pacientes com câncer vivem mais, o tratamento para perda auditiva provavelmente dará maior qualidade vida aos pacientes pós-tratamento do câncer.

“Há 20 anos, muitos pacientes consideravam-se sortudos ao sobreviverem; atualmente com os avanços da medicina é crucial uma melhor qualidade de vida após o tratamento.”

 

Efeitos ototóxicos em crianças

Apesar dos poucos dados estatísticos disponíveis, os pesquisadores acreditam que o número de crianças sobreviventes ao câncer e com perda auditiva (como consequência da exposição aos ototóxicos) é significante. Em um estudo com 67 pacientes com idade entre 08 a 23 anos e submetidos à quimioterapia, 61% apresentaram perda auditiva pós-tratamento – as frequências altas foram as mais afetadas.

A perda auditiva nas frequências altas em crianças afetam principalmente a compreensão de fala. As crianças não percebem que não estão interpretando a fala corretamente e em muitos casos, a perda auditiva pode passar desapercebida ou não ser diagnosticada. As consequências de não intervir a tempo são:

• Atraso no desenvolvimento da fala e linguagem;

• Impacto negativo no desenvolvimento cognitivo e educacional;

• Interferência no desenvolvimento psicológico;

 

Resumo

A perda auditiva pode ser um aspecto negativo após o uso de determinados medicamentos da quimioterapia e radioteapia. Durante o tratamento de câncer, um audiologista pode monitorar os efeitos da ototoxicidade e recomendar uma intervenção precoce. Com os avanços na medicina, mais opções de tratamentos se tornaram disponíveis e as taxas de sobrevivência continuam a subir, assim faz-se necessário profissionais da saúde para considerar a melhor qualidade de vida pós- tratamento. Quando o tratamento é finalizado, o profissional da audição poderá avaliar os efeitos da ototoxicidade e se necessário oferecer orientações e tratamentos que podem incluir os aparelhos auditivos e a reabilitação.

 

“Um estudo avaliou a performance educacional e os comportamentos sócio-emocionais de 1200 crianças com perda auditiva de grau leve, 37% repetiram a primeira série da escola. Elas também apresentaram problemas comportamentais e com auto-estima.”